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    Habilidades Socioemocionais: como elas podem impactar o futuro das crianças?

    Atualizado: 20 de Abr de 2019

    Que competências os jovens precisam aprender hoje para se prepararem para as profissões do futuro?


    Muitas dessas profissões ainda nem existem, mas a pergunta tem mobilizado especialistas em educação e mercado de trabalho – em busca de aperfeiçoamentos nos sistemas de ensino atuais.


    Desenvolvimento de habilidades socioemocionais pode ajudar no aprendizado de sala de aula.

    Cresce entre analistas a percepção de que muitas habilidades cruciais não serão técnicas, mas, sim, sociais e emocionais: resiliência, curiosidade, colaboração, pensamento crítico e capacidade de resolução de problemas, por exemplo.


    "Com o acesso abundante ao conteúdo, o que a pessoa precisa é saber escolher, separar fatos de opiniões, saber navegar em meio a muitas informações não filtradas", explica Denis Mizne, diretor-executivo da fundação educacional Lemann.


    "Daí a importância do pensamento crítico. E a resiliência tem a ver com um mundo menos previsível. Se não sei que profissões existirão, preciso me adaptar."



    Resiliência é a capacidade de enfrentar adversidades da vida e superá-las, transformando-as em situações de crescimento e aprendizagem.



    Mas como ensinar habilidades desse tipo, sem descuidar do conteúdo escolar? E será que muitas delas têm sido pouco exercitadas pelas últimas gerações?


    Para a professora Carmen Migueles, especialista em educação e desenvolvimento organizacional da EBAPE-FGV, parte das novas gerações – crescidas na internet – "perdeu o contato com o sacrifício e a capacidade de vencer obstáculos".


    "Eles entram no mercado de trabalho achando que serão recebidos em um palco iluminado pronto para eles", opina a professora. "Mas o sucesso é algo que se consegue em meio às dificuldades."


    Segundo ela, essas habilidades socioemocionais – chamadas, também, de "soft skills" ou habilidades não cognitivas – são muito procuradas por empresas quando buscam um funcionário. "É um cultivo de virtudes, como paciência, solidariedade e entendimento de diferenças em uma sociedade multicultural", diz ela. "Isso ajuda, por exemplo, a lidar com o choque de culturas quando uma empresa é comprada por uma estrangeira."


    As "soft skills" ou "habilidades não cognitivas", são habilidades socioemocionais muito procuradas pelas empresas quando buscam um funcionário.

    Como funciona na prática?

    O especialista americano em desenvolvimento socioemocional Brian Waniewski, argumenta que o uso de jogos na sala de aula ajuda a simular a resolução de problemas na vida real. "Você progride de um nível para outro, supera desafios e é um agente proativo", diz.


    A mesma lógica vale para levar casos concretos e questões da vida real – por exemplo, problemas da comunidade - para o debate entre alunos, em vez de focar apenas o conteúdo teórico. Ainda que isso já seja estimulado em alguns cursos superiores ou pós-graduações, ainda é algo incipiente nas escolas. Muitos conteúdos aprendidos nas escolas (como logaritmo ou matrizes na matemática) não são trazidos para uma visão prática. Ou seja, o aluno aprende o conteúdo, mas não sabe como ele pode ser aplicado na "vida real".


    A dica, aí, é que os alunos tentem estudar não apenas para passar na prova, mas buscar entender a aplicação prática do conteúdo e como relacioná-los a outras disciplinas aprendidas. "Muita gente trata o debate como se fosse preciso escolher entre ensinar essas habilidades e o conteúdo tradicional, como matemática e português", afirma Mizne, da Fundação Lemann. "Mas os alunos precisam das duas coisas – e essas habilidades ajudam no aprendizado do conteúdo."


    Os pais podem, desde cedo, estimular seus filhos, com a introdução de jogos pedagógicos, brincadeiras que envolvam design e criação, blocos de montar, desenhos, apresentação de teatro para familiares, música, entre outros. Apesar das crianças desde cedo terem algumas preferências pré-definidas (algumas podem gostar mais de atividades mais dinâmicas, outras de atividades de concentração), estas atividades irão expôr a criança à diversas situações onde ela poderá aos poucos, desenvolver suas habilidades em diversas áreas.


    E no Brasil?

    O Instituto Ayrton Senna e a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) fizeram um estudo, recém-divulgado, com 24,6 mil alunos da rede estadual do Rio de Janeiro, com uma ferramenta desenvolvida para a medição de competências socioemocionais.


    Algumas das conclusões são de que ter em casa mais de uma estante de livros aumenta em 40% a chance de uma criança ser mais aberta a novas experiências; e que estimular habilidades como planejamento e o protagonismo entre os alunos melhora seu desempenho em matemática e português, respectivamente. E eles podem ser potencializados por atividades esportivas e culturais, pela incorporação de jogos que colaborem no aprendizado das diferentes disciplinas e pelo estímulo à pesquisa entre os alunos.


    Waniewski ainda ressalta que "Um dos fatores mais importantes é aprender a aprender – e a curiosidade não é algo que seja muito estimulado pelos sistemas educacionais atuais", "O mercado de trabalho se move mais rápido do que o educacional."

    Fonte: BBC Brasil

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