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    Desenvolvimento Socioemocional - Parte II

    Atualizado: 27 de Set de 2018

    Este post é continuação da matéria anterior: "Desenvolvimento Socioemocional". Se você não leu ainda, clique no link no final da página.



    As crianças e os jovens devem ser preparados emocionalmente para a vida adulta, aprendendo a lidar com os seus sentimentos, frustrações, resolução de problemas e relacionamento interpessoal.


    De acordo com psicólogos e estudiosos da neurociência, a personalidade humana pode ser analisada através de cinco dimensões, conhecidas como Big Five.


    Estas cinco dimensões, ou domínios, são organizadas em 5 grandes grupos: Abertura a novas experiências (tendência a ser aberto a novas experiências estéticas, culturais e intelectuais); Consciência (inclinação a ser organizado, esforçado e responsável); Extroversão (orientação de interesses e energia em direção ao mundo externo, pessoas e coisas); Amabilidade (tendência a agir de modo cooperativo e não egoísta); Estabilidade Emocional (previsibilidade e consistência de reações emocionais, sem mudanças bruscas de humor).


    A importância das habilidades socioemocionais vai se mostrando cada vez mais presente com o passar dos anos. Ao chegar na vida adulta, o indivíduo se depara com diversas situações (principalmente, no ambiente de trabalho) onde ele precisa demonstrar atitudes como adaptabilidade, jogo de cintura, saber trabalhar em equipe e lidar com a frustração.


    Para ter dimensão da relevância das habilidades socioemocionais para o exercício profissional, basta refletir rapidamente sobre o tipo de resposta e de comportamento que habitualmente temos diante de situações emocionalmente intensas ou complexas.


    Elas podem interferir tanto negativa quanto positivamente no desempenho das atividades profissionais, o que dependerá da forma como o indivíduo é capaz de lidar.

    Se a pessoa tem habilidades socioemocionais satisfatoriamente desenvolvidas, ao invés de desperdiçar energia em uma circunstância negativa, poderá canalizá-la de maneira a ser capaz de contornar os efeitos dessa situação, não causando transtornos no trabalho.


    Em uma situação profissional positiva, essas capacidades atuam no controle da excitação, estabilizando o estado eufórico, diminuindo os níveis de ansiedade e potencializando ganhos.


    A partir desses dados, as habilidades socioemocionais figuram, muitas vezes, como um diferencial na hora da contratação, da manutenção e ascensão do funcionário.

    Aliado a todas essas vantagens está o fato de que as habilidades socioemocionais favorecem a construção de conhecimentos acadêmicos, tonando a formação técnica do profissional mais sólida e eficiente.


    Como as Competências Socioemocionais podem influenciar no aprendizado?


    Em outubro de 2013, com apoio da Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro, cerca de 25 mil estudantes do 5º e do 9º ano do ensino fundamental e do 3° ano do ensino médio participaram da aplicação piloto desse instrumento, denominado de sistema SENNA (sigla em inglês para “Avaliação Nacional de Socioemocionais ou Não-cognitivas”). Além do questionário com até 92 itens, o sistema coleta informações socioeconômicas e permite o cruzamento com resultados cognitivos dos alunos e informações sobre o ambiente de aprendizagem.


    Os resultados preliminares da aplicação do questionário indicam que jovens com competências socioemocionais mais desenvolvidas tendem a ter melhor desempenho escolar, e que é possível estimular essas competências com ações promovidas por políticas públicas direcionadas para este fim. Ter em casa mais de uma estante de livros, por exemplo, aumenta 40% a chance de uma criança ser mais aberta a novas experiências, e alunos com essa característica altamente desenvolvida tendem a conseguir um desempenho melhor em português.


    Veja os resultados encontrados nos gráficos abaixo:


    Dentre os aspectos estudados sobre o desenvolvimento das competências socioemocionais, o incentivo ao estudo pelos familiares tem o maior impacto para estimular, nos seus filhos, aspectos como consciência, amabilidade e abertura a novas experiências. Por exemplo, 23% da diferença entre alunos com alta e baixa consciência seria eliminada caso os pais do aluno com baixa consciência os incentivasse a estudar.


    Os dados indicaram que filhos de mães menos escolarizadas são tão ou mais conscienciosos que filhos de mães mais escolarizadas. Esse fato chama atenção para o potencial da abordagem socioemocional para alavancar o desempenho educacional dos alunos mais economicamente vulneráveis, uma vez que pais com menor escolaridade e recursos econômicos não parecem estar em desvantagem em relação aos pais mais favorecidos economicamente.


    Jogos criam ponte entre diversão e aprendizagem


    Dentre os recursos usados para desenvolver as competências socioemocionais, os jogos ocupam um lugar privilegiado. Com eles, enquanto as crianças se divertem é possível detectar, aprimorar e avaliar características como trabalho em equipe, resiliência, liderança e reação à contrariedade. É nesse momento de descontração que, ao mesmo tempo, possui regras e estratégias, que se consegue colocar os estudantes em situações do mundo real e permitir que adquiram conhecimento por esforço próprio e na relação com os demais colegas.


    Desde o ensino infantil até o ensino médio, os diferentes tipos de jogos e atividades acompanham as necessidades específicas de cada faixa etária. Por exemplo, primeiro servem para despertar o senso de colaboração e despertar a comunicação, depois partem para o incentivo da criatividade e do controle da impulsividade. Eles podem ser analógicos, como jogos de tabuleiro, ou digitais, via uso de tablets, computadores e celulares. Em comum, guardam a intencionalidade e a capacidade de registrar o progresso do aluno.


    Como fazer?

    Que competências socioemocionais precisam ser desenvolvidas? Como deve ser a formação dos professores para lidar com esse desafio? Que cuidados são necessários na avaliação? O desenvolvimento intencional de capacidades que extrapolam os conteúdos cognitivos ainda suscita muitas perguntas entre gestores e profissionais de educação.


    No Brasil, vem crescendo o número de instituições educacionais públicas e privadas com essa preocupação. Contudo, no Japão, este movimento está apenas começando.


    É com este propósito que o Projeto Chōchō foi concebido. O Projeto Chōchō auxilia no desenvolvimento escolar e social de crianças e jovens através de atividades recreativas e lúdicas, fortalecendo suas relações interpessoais e interculturais, contribuindo para a melhoria da formação de sua identidade sociocultural e potencializando as habilidades socioemocionais.


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    Um Abraço.


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